
Haverá algo melhor que um entardecer de um dia bem quente de Verão?
Não há nada mais delicioso que contemplar o estupendo erotismo de um sol cor-de-laranja a esconder-se envergonhado por detrás da montanha imponente, a perder-se de vista; a sensualidade dos corpos seminus que desfilam por entre os tons cálidos que nos fazem sentir absolutamente belos e extraordinariamente felizes; o rio, esse sábio sonhador, que observa imperturbável a azáfama diária das gentes que correm apressadas para lado nenhum, condicionadas por um ritmo instável, imparável.
Numa época em que as fasquias são assustadoramente altas, onde a palavra que reina é a competitividade, onde a conquista material – justificação primeira de não olhar a meios para atingir fins – é prioritária, avassaladora, implacável e urgente, onde tudo nos é pedido, exigido, sacrificado a troco de nada ou quase nada, sem garantias, contrapartidas nem compensações, resta pouco tempo para algo mais.
Houve uma altura em que a conduta de vida pressupunha, entre os seus inúmeros encantos, alguma qualidade e sentido de família, mas no frenesim do século XXI esta tornou-se numa linguagem morta. É como o latim, não há com quem o falar…
A poucos restará algum tempo para apreciar aquela luz quente que afaga a alma. Já não há tempo para o essencial.
(e hoje por cá estão 21º, mas é só hoje, nada de entusiasmos!)
Sandra said,
Abril 3, 2009 @ 9:59 pm
Que comparação certeira a que fazes com o Latim 🙂
Não faz sentido o que se passa, pois não?
Mas já vou conhecendo quem faça, cada vez mais, um esforço por voltar a falar essa língua morta, da qualidade de vida e do sentido de família…tiveram, é certo, que abdicar de algumas coisas, mas estão mais felizes e isso é o principal, não é?
Beijinhos. Gostei de te ler 🙂
Ana C said,
Abril 3, 2009 @ 11:29 pm
Fizeste-me sentir bem na pele todos os pores-do-sol que tenho perdido…
MARIINHA said,
Abril 4, 2009 @ 1:20 pm
Bonito post, bonitas palavras. Gostei muito. Parabéns Soquinhas. Aproveita bem o tempo que faz por aí. Beijinhos
Andorinha said,
Abril 5, 2009 @ 5:43 pm
Não sabia que escrevias assim! Desculpa o meu espanto, mas é que gostei mto do texto.
Um beijo enorme, Sofia