Só a Ana C. para me meter aqui a falar de mim e do gajo, ai Ana, Ana, estás feita comigo, hei-de inventar um desafio ainda pior que este e tu és a primeira da lista! LOL
Bem… nem sei por onde começar porque a minha história nada tem de sofisticado ou excepcional, é uma história banal, comum, que não interessará a muitos e que, provavelmente, não apenas vai decepcionar quem aqui acorrer com grandes expectativas, como entediará (com direito a bocejo e tudo) todos os outros que vão passando em busca de novidades. É que eu não tenho como florear algo tão simples. E perdoem-me, mas eu não sei falar de amor, falta-me a prática e também a inspiração.
Corria o ano de 2002 e o grupo editorial, no qual eu trabalhava, admitiu três estagiários para um departamento que tinha de estar em constante interacção com o meu. Um desses novatos, o único que acabou por ficar, arrastava a asita para cima de mim, mas como eu andava completamente insatisfeita com aquele trabalho e, pior ainda, de coração encerrado a eventuais investidas, num celibato interminável, totalmente imposto pela má experiência anterior, não me dava conta de que aquele colega giro de olhar pestanudo, sempre com uma gracinha, uma ajudinha preciosa, todo amigo e disponível, me achava piada. Até que uma amiga de longa data, que trabalhava comigo, me chamou insistentemente a atenção para esse facto e, a partir daí, liguei as antenas supersónicas. Encarei o suposto cortejamento sempre de ânimo leve e muito céptica em relação a tudo, determinada a viver um dia de cada vez. Naquela altura só pensava em divertir-me um bocado, pois independentemente de termos a vida fechada para o Mundo, sentir um afago no ego há-de ser sempre um bálsamo indispensável na existência de qualquer ser humano, esteja em que condição estiver.
Apesar de eu morar a 46km do local de trabalho e de ele viver a cinco minutos de carro, as boleias começaram a fazer parte do nosso ritual diário de trabalho e por essa razão as horas de saída acabavam por ser sempre esperadas com alguma ansiedade. Os colegas tornaram-se amigos com vontade de usufruir da companhia um do outro para lá das portas da empresa. Eu comecei a dar por mim a gostar de ir passar oito horas a fazer algo que não me realizava, mas que era sobremaneira compensado pelo facto de ter de interagir com ele. Até que numa sexta, 18 de Maio de 2002, o habitual adeus, até amanhã, obrigado, foi substituído por algo mais. Para me reter mais uns minutos à porta de sua casa e desta vez com o carro desligado, ele pedira-me (na véspera) para lhe mostrar algumas fotografias minhas de infância e também da minha cadela da qual eu falava com tanto carinho. Foi a desculpa esfarrapada que inventou à pressão para ter direito a uns minutos de conversa. O melhor que arranjou, que os gajos, já sabemos, são exímios em pretextoszitos da tanga! Ah ah ah ah ah! E foi nessa noite, depois de não haver mais fotos, que o blá blá blá deu lugar a umas tímidas beijocas. 😉
De cada vez que o deixava à porta de casa, levava todo o caminho de regresso a repetir “Onde se ganha o pão, não se come a carne!”, para me convencer a mim própria que não era boa ideia ter um relacionamento com um colega de trabalho, mas o que é facto é que conseguimos sempre separar as duas vertentes de uma maneira tão rigorosa e discreta que até hoje os colegas que ainda perduram na sua vida profissional, desconhecem quem é a namorada de quem pouco fala, mas que está efectivamente com ele há (quase) sete anos.
Parece que foi ontem.

Ceres said,
Abril 8, 2009 @ 10:50 am
Foste nessa noite dormir a casa de outra amiga de longa data, que te recebeu de braços abertos e que ficou muito feliz de te ver aos “pulinhos” 😉
De facto parece ontem……
Ana C. said,
Abril 8, 2009 @ 4:52 pm
Bocejo? Mas tu tás parva? Eu JAMAIS bocejo com uma história de amor, simples, complicada, tarada, movimentada, estagnada. Amor é Amor!!!!!!
E a tua também é especial sim, senão não durava já há sete anos. Quer dizer que ele foi entrando de mansinho até te ocupar por inteiro? Gosto desse tipo de amor descomplicado, sem dramas que nos vai conquistando devagarinho. E muito obrigada pela tua partilha e pela fotografia espectacular que espero ser mesmo vossa 🙂
undutchablegirl said,
Abril 8, 2009 @ 5:26 pm
A fotografia é mesmo nossa, apesar de já ter dois anos.
😉
Throll said,
Abril 8, 2009 @ 11:47 pm
Poças!!!!! Eu não posso ler histórias de amor que fico logo com a lágrima no canto do olho!!!! Sou assim, uma besta duma Throll com coração de manteiga!!! Ainda por cima tenho estado a ler as histórias de todos … tem é de ser aos bochechos, se não desgraçava-me!!!
Que continuem assim por por muitos anos!
Bjks
Sofia said,
Abril 9, 2009 @ 8:38 pm
Tão fofo! Haja lugar a persistência, constância e calma 😉
Gostei, gostei!
MARIINHA said,
Abril 10, 2009 @ 2:41 am
O amor por vezes aparece quando não se espera. Não estavas na altura interessada, mas o cupido não quis saber e atingiu-te em cheio. Foi certeiro. Espero que continuem sempre juntos e muito felizes. Um beijinho e Boa Páscoa.
Rita said,
Abril 15, 2009 @ 12:54 am
Gostei da tua história de amor! É parecida com a minha: sorrateiro, de mansinho e sem aviso! E com a desculpa esfarrapada do Banito com uns copos a mais a pedir-me um copo de água para poder entrar em minha casa e declarar-se… foi o olhar de cachorrinho que me fisgou, depois espetei-lhe um beijo! Ah, ah ah!
L. said,
Abril 21, 2009 @ 6:08 pm
Conheci o teu blog através do da Ana C., vim precisamente pelo desafio da história de amor.
Eu me confesso: já li todo o blog até aqui e só posso dizer que estou a adorar.
E adormecer com esta história de amor?! Nem por sombras, até me fez rir.
Beijinhos
undutchablegirl said,
Abril 22, 2009 @ 12:47 am
L.,
muito obrigada pelo teu comentário.
Volta sempre que quiseres, tens a porta aberta.